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ESTUDO E PRATICO ESTA DANÇA DESDE 1999 E TIVE COMO MEUS PROFESSORES DO NÍVEL INICIANTE AO PROFISSIONAL :
LALLA GUHL DANÇAS ÁRABES (ÁRABE), NURAH SAID SAID (LIBANESA), SARA SAMRA (ÁRABE),

FIZ CURSOS DE APERFEIÇOAMENTO COM:
DALIE MORALES (BAGÉ/RS), ALINE DEMENIGHI (PR), LEAN MENDES (DERBAKISTA), SAAHIRA KALLI (SP), BRYSA MAHAILA (POA/RS), LULU SABONGI (SP), TAIS BLAUTH (SC), SHAHAR BADRI (SP), VIRGINIA DIANO (SC), GOVINDA VALLABHA (SSA), NADIMA MURAD (POA/RS), ADRIANA CUNHA (SC), HADIA (CANADA), ÁLIKA (SC), NAR EL HOB (SP), MESTRA SAMIRA, NIJME, ELISABET MORO (RJ), KAHINA (SP), MAJA NILE (EUA), HAMADA NAYEL, MAHAILA EL HELWA, SHALIMAR MATTAR (SP), PAOLA BLANTON, SHANAN (AR), ESMERALDA DANCER, ADRIANA DANGELO, MARIO KIRLIS, FABIANA TOLOMELLI, DEBORAH VALERIO, HAYAT EL HELWA (SP), ALESSANDRA FORTE (POA/RS), DERBAKISTA CHAKER AKIKI (DERBAKISTA), DUNIA (PR), SORAIA ZAIED (EGITO), SANDRA ALBANO (CE), FLÁVIO AMOEDO, AYSHA ALMEE, TARIK DANCE, NAJWA ZAIDAN, JULLI MARIANO, LAINAH, MARCIA DIB, MUNIRA MAGHARIB, FERNANDA GUERREIRO, LEILA SORAYA, DÉBORA VALÉRIO, NAGLA YACOUB, NESRINE BELLYDANCER, KARINA GALASSO, NURIEL NUR, MONAH SOUAD, MAHIRA HASAN, MÁLAK, CAROL LOURO, DALILAH, KHALED SEIF E GAMAL SEIF.

PARTICIPEI NO FESTIVAL DE D. DO VENTRE DO RIO GRANDE DO SUL A NIVEL MERCOSUL EM 2005 O QUAL OBTIVE 1° LUGAR NA CATEGORIA FOLCLORE COM A DANÇA DO CANDELABRO.
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

COSTUMES E TRADIÇÕES DOS POVOS DE CULTURA ÁRABE



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...Assim eles viviam...

tradiçoes*costumes*valores*

 

 
- o ambiente das ruas -
As cidades árabes tinham como centro uma medina , cidade amuralhada onde estavam os principais mercados, a residência dos governos e a mesquita maior, rodeada por alguns bairros . As ruas principais nasciam das portas das muralhas o resto era um labirinto de ruelas estreitas e tortuosas com chão de terra, cuja altura e direção mudava a cada 100 metros.

No encontro dessas ruelas formavam-se praças que serviam de Zok ou mercado. Os bairros exteriores a muralha tinham seus mercados , mesquitas e banhos próprios. Tanto as portas da muralha como as cancelas se fechavam a noite para evitar roubos. A importância das cidades árabes se media pelo número de suas portas.

 
Como os artesãos e comerciantes se reuniam por grêmios , os bairros tomavam o nomes deles: assim haviam os bairros dos perfumistas, dos pergamineiros, dos tecelões, dos sapateiros. Quase todas as cidades tinham também o bairro reservado aos judeus , e perto da porta principal se achavam o cemitério, separados por credo, e mais adiante o leprosário.
O ambiente nas ruas era alegre e pitoresco, a toda hora circulava pelas ruas uma multidão atarefada ou ociosa que acudia aos mercados onde se vendia escravos livros tapetes, especiarias, existiam herbários que preparavam ungüentos , e berberes que saiam dos campos para vender hortaliças, e entre todo essa gente , pululavam mendigos , cegos, equilibristas, faquires , encantadores de serpentes, narradores de contos e astrólogos.

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- as casas -
A maiorias das casas era de dois pisos, as mais ricas tinham um portão de entrada que comunicava a um saguão por onde se chegava a um pátio central, donde saia um domo arejado para refrescar nos dias de calor.

As escadas estreitas levavam ao piso superior reservado às mulheres. Estes pátios eram ajardinados e possuíam ao centro um fonte. As casas mais humildes, eram parecidas mas muito menores, a porta de entrada dava para um pequeno corredor que dava para um pequeno pátio cuja galeria era sustentada por colunas de ladrilhos. Tanto nas casas ricas como nas pobres o pátio era o centro da vida familiar, e as vezes o piso superior tinha um balcão semi-cerrado por treliças que assegurava as mulheres olhar a rua sem serem vistas.

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- a vida familiar -
A família árabe se baseava no patriarcado, o pai tinha poder sobre a esposa, os filhos e os servidores, e à poligamia, direito a ter mais de uma esposa. Segundo a lei mulçumana cada homem pode ter até 4 esposas, desde que pudesse sustentá-las, mas na prática isso só acontecia nas classes altas.

Os nobres e príncipes tinham concubinas escravas, muitas delas de origem cristã convertidas ao islamismo . O número de concubinas podia ser grande, mas somente as que davam um filho homem ao sultão, alcançavam o título de princesas- mãe , o que lhes dava o direito de ter fortuna pessoal e emancipar-se com a morte do senhor. As outras quando morriam o sultão passavam a depender do sucessor.

Em todas as classes sociais havia um contrato de matrimônio , por meio do qual o noivo se comprometia a pagar um dote a sua futura esposa, e esta, por sua vez ,devia ter o enxoval: roupas de casa e vestidos, jóias e tapetes entre os nobres. Este contrato se firmava antes das bodas que tinham a data fixada por um astrólogo, os festejos duravam uma semana inteira, começavam na casa da noiva que cercada por um cortejo de familiares e músicos ,seguia para a casa do noivo.

Para a mulher o matrimônio era o ato social mais importantte da sua vida, os pais que escolhiam o jovem que melhor dote ofereceria , em terras, ouro ou cabras.

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-a condição da mulher-
Uma vez casada a mulher não poderia mostrar seu rosto, salvo para o marido e parentes próximos. Submetida por completo a autoridade do marido , levava a partir de então uma vida de semi reclusão.

A mulher humilde trabalhava em casa, cosendo e cuidando da família, e a mulher de posição elevada, saia pouco , podia freqüentar os banhos públicos, ir à mesquita e as vezes ao cemitério.

Quando o marido recebia para um banquete em casa, as esposas não participavam, somente se permitia a presença de escravas , cantoras e bailarinas.

Ao nascer um filho se colocavam amuletos de proteção e ao sétimo dia se dava o nome. Somente os mais abastados podiam dispor de escola ou professor particular.

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-Alimentação-
A base era o trigo, cada família fazia seu pão seguindo uma receita que passava de geração em geração, que era levado a assar num forno coletivo, para os pobres, a carne era um luxo reservado as festas religiosas. No inverno tomavam sopa de semola e outras raízes. Eram comuns os purês de lentilha, grão-de-bico, beringela, e as sopas de verduras com especiarias.
 
Os ricos dispunham de bebidas fermentadas e comiam carne em abundância, de carneiro e cabrito, sopas com carne picada, e uma diversidade de doces. Em todas as classes se cozinhava com muito tempero: gengibre, açafrão, canela, cominho, pimenta, e se consumia grandes quantidades de arroz. As bebidas mais comuns eram a água aromatizada com essência de rosas, o aniz fermentado, e chás ; o álcool é terminantemente proibido pelo Corão.
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-os funerais-
Quando morria um membro de uma família pobre , as mulheres da casa gritavam e se lamentavam exageradamente , o corpo era envolvido em um pano branco , e depositado de costas com o rosto virado para Meca ; os cemitérios eram austeros e tinham plantados palmeiras , ciprestes, e olivas. Os ricos construíam sobre a tumba capelas rodeadas de jardins.

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- os banhos -
Eram amantes da limpeza e da higiene, nas casas modestas se lavavam com simples tinas, mas nas casas grandes encontravam-se banheiras de mármore e pedra. Como nas antigas termas romanas , o banho árabe começava com um banho de vapor em uma sala quente , de onde se passava para uma sala temperada, e logo depois, para terminar, uma sala fria.

Os banhos públicos, reservados as classes altas eram verdadeiros encontros sociais, donde se saia depois para passear ou comer. Funcionavam de manhã para os homens, e a tarde para as mulheres . Ali eram servidas por funcionarias que além de massagens, podiam ainda depilar, cuidar dos cabelos e da pele com preparados especiais. Alguns banhos reais, nos palácios, dispunham de um balcão no alto onde ficavam músicos cegos que entretinham os nobres, que desfrutavam de repouso, acompanhados de suas esposas e concubinas.

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- a mulher -
As jóias- a arte de joalheria alcançou um nível extraordinário entre os árabes. A mulheres ricas levavam colares de pérolas e de pedras preciosas, braceletes, pulseiras nos tornozelos, anéis, broches e diademas.

As mulheres mais simples usavam jóias de prata, e um tipo de pérola pequena que se chamava aljófar. Para todas era símbolo de status , e no caso das concubinas todo o patrimônio que se dispunham estava convertido em jóias. As bailarinas também recebiam pagamento na forma de moedas e adornos, daí o fato de terem incorporado muitos destes adornos ao trajes de dança, impedindo assim que fossem roubadas .

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-mercado de escravos-
Um dos negócios mais lucrativos, haviam mercados exclusivos para esse comércio, onde os escravos eram distribuídos de acordo com sua procedência,.No comércio de mulheres o preço mais alto era pago pelas escravas cantoras, quase todas de origem oriental, muitas delas recebiam uma esmerada educação , pois deveriam entreter os senhores por muitas horas nos haréns.
 
Haviam eunucos de muitas raças, que eram operados pelos melhores cirurgiões judeus, que eram destinados aos haréns reais ou privados, uma vez que só eles podiam entrar na ala reservada às concubinas. Os negros eram muito apreciados por sua força física e pela fama de serem velozes corredores.
Outra classe de escravos caro eram os de origem européia, na verdade prisioneiros de guerra, alguns eram feitos eunucos, outros destinados a serviços domésticos; ou ainda serviam na guarda pessoal dos sultões. Os escravos podiam alcançar liberdade indo a guerra no lugar de seus amos, e , se voltassem com vida, eram libertos. Ao se comprar um escravo firmava-se um contrato para evitar reclamações posteriores; e às mulheres faziam examinar por um médico.

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-os deveres religiosos-
A religião serviu para unir diversas tribos e etnias árabes, os homens tinham a obrigação de rezar quatro vezes diárias , e ir a mesquita, se não for impedido pelas obrigações diárias.

A mulher só ia a mesquita às sextas-feiras, dia festivo e de orações em comum, a ala de mulheres não se comunicava com a dos homens. Para eles a mesquita era também um centro de reuniões sociais , onde se divulgavam os editos do governo, e se falava de negócios.

Uma figura importante era o Moecin; funcionário encarregado de anunciar as cinco rezas cotidianas, subia no alto do alminar ou torre da mesquita, e entoava uma melodia religiosa, quase um lamento. Os fieis lavavam os pés, mãos e cabeça , no pátio que invariavelmente possuía uma fonte e entravam no templo descalçados para os ritos.

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De onde vem a dança do ventre?
Do ponto de vista histórico as grandes bailarinas do Oriente Médio ,que servem de referência às estudiosas de dança do mundo todo, são continuadoras diretas das Gawazees , ciganas, nômades ,que desde a mais remota antiguidade viajam pelo Oriente,ora absorvendo ora distribuindo influências.Essa dança passou inclusive pelo Egito Faraônico, (civilização que teve seu ápice em 4000a.C com a construção da Grande Pirâmide),sendo esta arte ,no entanto,anterior ao período dos Faraós.

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Dança do Ventre é árabe ou egípcia?

Faz parte de uma Tradição Oriental que atravessou todas as culturas antigas , hindú,babilônica,assíria,fenícia,persa etc., e que por razões históricas e geográficas estacionou no Oriente Médio ,recebendo daí para frente influências estéticas da cultura Islâmica ,vigente na região.O Egito faz parte do Oriente Médio,é um país islâmico ,e não conserva em sua cultura ,costumes ou arte ,influências do Egito Faraônico. A Dança do Ventre como a conhecemos ,pode ter sido dançada no Egito Faraônico,são suposições que fazemos que não tem nenhuma comprovação histórica ou arqueológica.

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E mais correto dança do ventre ou dança oriental?
Os dois nomes estão corretos. Dança Oriental seria a tradução literal para o termo árabe "raks al sharqi" , ou seja é assim que os árabes a denominam querendo dizer que essa dança vem mais do Oriente do que eles estão.No entanto, no século 19 os europeus quando estiveram no Egito ,usaram o termo "Dance do Ventre"pois era da barriga ou do ventre que saiam os movimentos sinuosas ,as batidas as vibrações, movimentos que não existiam em nenhum folclore europeu.Esse nome se difundiu em muitos países do ocidente ,e aqui no Brasil é o mais comum,e é claro ao se escutar esse termo qualquer pessoa se reporta ao Oriente Médio e suas tradições.

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Qual a idade apropriada para se começar a dançar?
É a única dança que a mulher pode começar com 100 anos! Porque é orgânica,ou seja, os movimentos são naturais ao corpo, não impostos ou forçados, cada mulher tem seu ritmo, forma de dançar de acordo com sua constituição. A Dança Árabe deve ser encarada como um a atividade física e como uma forma de expressão artística pessoal, respeitando-se os limites de cada aluna, em todas as idades a mulher encontra benefícios e estímulos para começar a dançar.

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Existe algum ritual de iniciação (em nossos dias) para a mulher que queira desenvolver-se na arte da dança do ventre? O que gostaria de saber também é do motivo de algumas dançarinas mudarem seus nomes de batismo, é apenas para fins artísticos ou existe um ritual ou cerimônia com base mística? Caso exista algum significado místico nestas cerimônias, quem seria a pessoa ideal para executá-lo e como? A presença do véu deve ser tida como sagrada ?. de preferência com dados registrados historicamente, quero passar a informação bastante segura para esta aluna ou qualquer outra pessoa. Confio muito em sua seriedade e é por isso que fiz questão de perguntar . Obrigada. Sylvia Recife/PE R.
Não existe nenhum dado histórico que aponte para rituais de iniciação das bailarinas ao longo dos tempos. Não se esqueça que a dança do ventre é orgânica,ou seja, é natural do seu corpo, isso significa que você não tem que pedir autorização ou benção de ninguém para começar a se expressar através da dança.Os rituais de iniciação são uma coisa muito séria que pertencem às tradições espiritualistas do Oriente (China ,Tibet,Índia,Japão). Isso não significa que você não deva respeitar as grandes mestras que já tem um trabalho consagrado porque a arte não é um processo individual, mas é um trabalho coletivo através das gerações. No Oriente Médio as bailarinas dançam com o nome e sobrenome de batismo, aqui no Ocidente para dar maior credibilidade e proximidade com uma outra cultura, que não é a sua própria,é comum as bailarinas adotarem um nome árabe para fins artísticos. Isso agrada ao público e aumenta a empatia, porém não é obrigatório você tem que se sentir a vontade com esse novo nome. . Só para finalizar: continue pesquisando, não aceite informações que não tenham comprovações históricas (livro, autor, data histórica, fonte). Existe muita mistificação desnecessária e mentirosa em torno dessa dança."O Caminho da Arte é o caminho da Verdade".
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E hoje como dançam as bailarinas no Líbano e Egito? descalças ou de sapatos?
Apesar da sofisticação dos shows de hoje em dia e do crescente profissionalismo as grandes estrelas do Egito ainda preferem tirar os sapatos, que são usados só para abertura de shows.Graças a Nadia Gamal Mestra que estabeleceu um novo padrão técnico para a dança do ventre e que dançava no Líbano na maior parte do tempo, ficou estabelecido naquele país o uso de sapatos pelas profissionais.O que podemos concluir é que usar sapatos ou não é uma questão pessoal. Não existe regra: depende da adaptação de cada bailarina....

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É certo dançar descalça ou de Salto?
Com todas as Danças e artes do Oriente,podemos acreditar que nos primórdios, a Dança Árabe também era realizada com os pés descalços.Todos sabemos que o contato com os pés na terra aumenta a conexão com as energias telúricas,favorecendo a dispersão das cargas negativas acumuladas, pois a terra tem a capacidade de transmutá-las e renová-las.Em 1929 a libanesa Badia Massabni abriu uma casa de shows no Cairo, Egito.Lá trabalhavam as grandes Mestras da dança,que definiram nossa forma de dançar até hoje:

Taheia Carioca, Samia Gamal, Naima Akhef, presentes nos filmes em branco e preto, indispensáveis para uma verdadeira estudiosa .Elas passaram a utilizar sapatos como forma de sofisticar uma apresentação e para se diferenciar das bailarinas de rua, muito simples, e que então já era uma tradição no Cairo.

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Toda música árabe pode ser dançada?
 
Claro que não! Os ritmos são específicos para dança, é preciso educar os ouvidos para a música árabe que é bastante rica e complexa, uma boa forma é assistir os vídeos das bailarinas egípcias,pois pois elas dançam todos eles com a perfeição de quem nasceu escutando.*******************************
Existe um alongamento específico para essa dança?
Nesse caso deve prevalecer o bom senso! Nenhuma atividade física deve ser feita sem alongamento e aquecimento, no Oriente não se cultiva o corpo como no Ocidente....então você pode usar várias técnicas dependendo da sua bagagem de estudo.....eu mesma prefiro me apoiar na Ballet, mas existem outras maneiras de se preparar o corpo para uma aula de dança. Mas não caia no erro de transformar sua aula num estudo avançado de anatomia! A dança tem uma linguagem própria que deve ser respeitada! Quem foge muito ou enxerta conteúdos de todos os lugares , certamente não domina suficientemente o assunto e usa termos difíceis e até pouco conhecidos para passar por entendida.

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Homens também dançam o Ventre?
Essa pergunta é bastante polêmica! Se você considerar que a Dança é um folclore, e o folclore pertence ao povo e não só a um dos sexos, os homens dançam todos os ritmos da sua cultura, e isso é uma manifestação bastante espontânea no Cairo! Música e dança são fatores determinantes para a preservação de valores culturais muito antigos! Mas não podemos esquecer da dimensão de expressão da alma feminina, que encontra tanto espaço na dança do ventre! A dança como espetáculo não aceita essa deformação! Porque é simplesmente um homem vestido de mulher imitando a movimentação e os trejeitos femininos, mesmo que ele realize os movimentos com bastante técnica o resultado é caricato e até agressivo para o público. Se algum homem se interessa pela dança árabe tem muitas variações folclóricas que pode estudar e compor um show bastante interessante.

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Existe idade certa para se começar a aprender?
Eu aconselho sempre depois dos 15 anos porque já se tem estrutura emocional para lidar com outros aspectos que surgem, além do corporal. Existem poucas professoras que se dedicam a ensinar crianças, e que fazem isso bem, elas precisam de uma linguagem e ritmo de aula adequados,a parte folclórica, as danças de grupo , quase como quadrilhas, são bem saudáveis para elas. No entanto devemos preservá-las de uma erotização precoce, ou de uma egolatria desmedida, e stress de participar de um espetáculo, com muitos ensaios e responsabilidades também deve ser avaliado....é preferível estudar Ballet, que fornece uma base sólida para qualquer dança, e , crescendo, se manifestar interesse, apoiar.
 
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Existe alguma relação com os 7 chacras?
Sim, em todas a tradições antigas do oriente, a percepção do corpo e do movimento era mais holística e integrada, no ocidente a questão energética ainda gera polêmicas, ativar as energias que compõem o Universo através da prática de técnicas orientais depende da maturidade e sensibilidade espiritual de cada um.

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Podemos usar elementos de técnicas ocidentais ou devemos nos esforçar para sermos fiéis ao Folclore?

Uma bailarina de outra cultura sempre trará em sua bagagem, técnica e feeling de suas experiências pessoais,e isso certamente despontará no seu trabalho,devemos lembrar que a arte é viva e é um processo dinâmico, grandes talentos sempre alargam os limites do possível ou do aceitável até então; mesclar elementos e recursos , traz também um toque contemporâneo.

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Em que medida a Dança do Ventre contribui para o desenvolvimento pessoal ?
A Dança do Ventre é sem dúvida ,uma forma rápida de retomada do Poder Feminino, poder entendido não apenas no sentido político de emancipação e ascensão social, mas no sentido Cósmico,ou seja o poder feminino na Criação,a energia feminina que gera, multiplica e transmuta todos os elementos.





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Todas as mulheres podem dançar?
Sim! Eu sou a favor que todas se dêem essa chance! Mesmo as que por um motivo ou por outro não consigam realizar alguns movimentos, ou atingir um padrão técnico excelente, o contato com essa energia e o processo que ela desencadeia é muito enriquecedor! Já vi mudanças profundas na vida e na saúde de mulheres que começaram a dançar mesmo que por hobby, é sabido que essa é uma forma poderosa de se trabalhar a auto-estima e de exercitar as qualidades femininas, que nos dias de hoje estão desvalorizadas!
 
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Uma boa professora tem que ser necessariamente bailarina ?
Não. ensinar é quase uma missão! existem boas bailarinas que não têm didática, ou jeito para sala de aula....existem aquelas que estudam e se dedicam muito mas não escolheram o palco para trabalhar preferem desenvolver seu trabalho e talento para dança em sala de aula. O importante é levar qualquer uma das carreiras, com seriedade e respeito, pois um dos maiores problemas da dança árabe é a quantidade de gente sem qualificação e sem escrúpulos trabalhando, e comprometendo o mercado como um todo.



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...um antigo poema de amor....
Feliz o momento em que nos sentarmos no palácio ,

dois corpos , dois semblantes , uma única alma - tu e eu.

E ao adentrarmos o jardim , as cores da alameda e a voz dos pássaros nos farão imortais - tu e eu.

As estrelas do céu virão contemplar-nos e nós lhes mostraremos a própria lua - tu e eu.

Tu e eu , não mais separados , fundidos em êxtase , felizes e a salvo da fala vulgar - tu e eu.

As aves celestes de rara plumagem por inveja perderão o encanto no lugar em que estaremos a rir - tu e eu.

Eis a maior das maravilhas : que tu e eu , sentados aqui neste recanto , estejamos agora um no Iraque , outro em Khorassan - tu e eu.

- Jalal ud-Din Rumi - séc.XIII



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Texto extraído do ótimo site parae studos e pesquisa da Bailarina Gisele Bomentre:

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